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À mesa do By the Wine desfruta-se o vinho português

By the Wine
By Inês ALMEIDA . 4 years

“No By the Wine não aceitamos ter produtos mais ou menos. Temos de ser sistematicamente bons.”

 

Quem passa a fronteira da porta do bar de vinhos (ou wine bar) By the Wine, localizado na Rua das Flores, cuja acalmia contrasta com a movida da zona que ocupa, no Chiado, é de imediato surpreendido pela positiva com a decoração única do restaurante, que funciona como flagship store da famosa produtora de vinhos portuguesa José Maria da Fonseca. Com 3267 garrafas de vidro esverdeado a cobrir os arcos que pontuam o tecto, torna-se impossível a quem entra, e até a quem passa, de ignorar um espaço tão especial em Lisboa.

 

 

Todo o interior foi decorado minuciosamente com elementos que remetem ao vinho. Com uma bancada de madeira que ocupa praticamente toda a extensão da sala, em que se sentam os transeuntes a desfrutar do néctar dos deuses, este wine bar demarca-se dos outros, por oferecer a possibilidade de se desfrutar de uma refeição com calma numa das mesas que ocupam as duas salas. Os vinhos a servir encontram-se expostos em estantes, mas quem quiser levar algum para casa, ou mais que um, também o pode fazer.

 

 

“O By the Wine surgiu da vontade que tínhamos de fazer algo novo em Lisboa”, começa por contar Ricardo Santos que, juntamente com Leonor Brito, sua mulher, delineou este projecto há quatro anos atrás. Depois de, em sucessivas viagens, se depararem com bares de vinho em toda a parte, desde Nova Iorque a Espanha, a ideia começou-se a cimentar e decidiram ver o que havia por terras lusas. “Os wine bars cá em Portugal andavam todos muito à base dos petiscos, e alguns de qualidade reduzida”, explica Ricardo Santos. “Chegámos a encontrar wine bars em Lisboa com presunto de supermercado, fatiado à máquina. Também encontrámos bons espaços, naturalmente, mas sempre com uma carta muito limitada”, acrescenta.

 

 

Depois de muita ponderação, Ricardo e Leonor decidiram criar um espaço à sua medida. Um wine bar como ainda não havia em Lisboa, com produtos escolhidos criteriosamente e que desse a possibilidade de permanecer e fazer uma refeição. “Mudámos de caminho mas aproveitámos coisas que conhecíamos bastante bem e gostávamos, como este pão do Algarve, que fazemos aqui”, conta Ricardo. “Este pão não se encontra em Lisboa, andámos à procura dele”, acrescenta Leonor. Basta dar-lhe uma mordidela para perceber justamente isso. A textura, o sabor de pão tradicional sem aditivos desnecessários, faz toda a diferença e enaltece o bom pão português (que é cada vez mais difícil de encontrar).

 

 

A opção de disponibilizar apenas vinhos da grande produtora portuguesa José Maria da Fonseca acabou por surgir naturalmente. “Tenho uma relação há muitos anos com os donos da marca”, conta Ricardo. “Tivemos a ideia de fazer algo diferente, exclusivo, e de usar a marca. Eles apoiaram-nos imenso.” Depois de um ano e meio à procura de um espaço, encontraram o “tal” que, ao contrário dos tradicionais wine bars, tem capacidade para cerca de noventa pessoas sentadas.

 

 

É fácil depreender a boa qualidade dos vinhos, afinal estes têm a chancela José Maria da Fonseca, a produtora vinícola de Azeitão criada em 1834, cujos vinhos Periquita e Lancers são bem famosos e apreciados entre os portugueses. Além destes, a marca também conta com uma vasta gama de vinhos premium, que certamente farão o gosto dos paladares mais exigentes. “Temos aqui vinhos muito especiais, como o Moscatel Roxo Rosé, ou o Verdelho”, diz Ricardo Santos.

 

 

Se esta casa se pauta pelo bom vinho, a comida não fica nada atrás. É difícil escolher os pratos de eleição, mas os mentores do projecto consideram que o ceviche de salmão e o prego de vaca são os ex-libris da casa. Na verdade, muitas das iguarias que compõem a carta, como a quesadilla de chouriço ibérico e o ceviche de salmão, são pratos que o casal já serve na sua própria casa há vários anos e que veio a apurar. Mas o segredo, afirma Ricardo, reside na qualidade dos produtos. “O prego tem de ter um bom pão e uma boa carne, mas a confecção não tem grande ciência. Os produtos é que são de qualidade”, explica Leonor. “Não há nada que saia daqui que eu não comesse imediatamente”, conclui Ricardo.

 

 

Quem vai ao By the Wine pode optar por fazer uma prova de vinhos a qualquer hora, ou fazer uma refeição e degustar o vinho em simultâneo. À escolha vai ter uma variedade de vinhos que vai dos tintos, aos brancos, aos espumantes, moscatel e rosé. Para acompanhar, é difícil resistir à tábua de enchidos e de queijos, assim como ao pão caseiro do Algarve, as ostras do Sado e os famosos pregos. Para finalizar com nota de ouro, servem-se as sobremesas, que vão da torta de azeitão, ao bolo de chocolate caseiro ou à tarte de amêndoa, que se fazem acompanhar de um copo de moscatel bem fresco.

 

 

Com uma carta de vinhos de qualidade inequívoca e ingredientes na cozinha que não lhe ficam atrás, é natural presumir que esta experiência lhe vá pesar na carteira. No entanto, esta não é a filosofia da casa. “Os vinhos são baratos. Foi algo importante que definimos à partida”, afirma Ricardo. Leonor completa: “queríamos ir a um sítio em que as pessoas da chamada classe média possam ir, tal como eu e o Ricardo gostamos de fazer, sem ser apenas em ocasiões especiais.” Isto torna-se evidente quando se vê os preços, sendo que uma garrafa de um bom espumante no By The Wine se bebe por onze euros, preço a que se bebe um único copo de gin em muitas casas da capital.

 

 

A qualidade da bebida aliada à boa comida, ao atendimento personalizado e à decoração original, faz com que este espaço atraia simultaneamente locais e estrangeiros. “Temos clientes locais que vêm todas as semanas e um que chega a vir todos os dias durante a semana. Já chegámos a ter clientes estrangeiros que estão em Portugal uma semana e vêm cá três vezes. Ficamos muito satisfeitos, mas a verdade é que não nos metemos neste negócio para fazer algo mais ou menos”, conclui Ricardo. Quem visita a casa não duvida.