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Monumental Palace: o Porto é Gotham

Monumental Palace Hotel
Posté par João GALVÃO Il y a 2 semaines
Catégories :
Hotelaria

Já leva um ano de atraso, mas tal só aguça mais a vontade de ver pronto o Monumental Palace Hotel

 

A promotora Douro Azul, principal responsável pelo Monumental Palace Hotel, afirma-o já como “o melhor hotel de cinco estrelas da cidade do Porto e do Norte de Portugal”. Aliás, afirmou-o ainda antes de começada a obra, aquando da sua apresentação ao público em finais de 2015.

Verdade seja dita que o melhor do Monumental Palace, a fachada,  já lá estava, desde meados da década de 20 quando o arquiteto italiano Michelangelo Soà o implementou a meio da Avenida do Aliados, à direita de quem a desce. O estilo era eclético, desvinculado de qualquer referência concreta, mas adivinhavam-se na fachada pormenores Arte Nova e Art Décò, e uma tentativa quase gorada de algum Modernismo. Não quer isto dizer que o edifício fosse feio, muito pelo contrário: o período do Entre-Guerras é típico desta amálgama de estilos que acaba por ser afinal também ela um estilo. O resultado final faz lembrar a cidade de Gotham, do Batman: monumental, agigantada, tanto gótica como Estado Novo.

 

Quase logo de seguida passou nele a funcionar a Pensão Monumental, na altura um destino quase chique, e cujo sucesso se fez muito depender da centralidade da praça e da proximidade à Estação de S. Bento. Um anúncio publicitário de 1935 dizia orgulhosamente “Magníficos quartos com água corrente quente e fria, telefone e chauffage, mobiliários modernos. Excelente serviço de mesa, salas próprias para casamentos e excursões, sala de televisão, etc.” Se pensarmos que isto se passava num país onde mais de metade das pessoas andaria descalça (é uma força de expressão, mas não longe da realidade), a Monumental era já um verdadeiro luxo.

É esta aura que a Douro Azul pretende recuperar com o Monumental Palace Hotel. A começar logo no piso 0, onde será recriada a atmosfera do Café Monumental. A cultura da vida portuense de café não tem no país igual; é preciso ter tempo, o tempo de quem lá vive, para que se entenda o verdadeiro prazer de deitar tempo fora num café portuense. Infelizmente alguns dos melhores desapareceram para dar lugar a sítios incaracterísticos que poderiam estar em qualquer sítio do mundo; um bom exemplo é o Café Imperial, também nos Aliados, que agora faz parte de uma cadeia internacional de pronto-a-engordar. E não vale a pena virem dizer que é uma das lojas do franchising mais bonitas do mundo, o Imperial já lá não está, e isso dói muito.

Com a assinatura da Rodapé Arquitetos Lda e interiores pela Oito em Ponto, o projeto é essencialmente marcado por um compromisso rigoroso e equilibrado entre a modernidade e o respeito pela memória histórica.

 

“Tratando-se de uma intervenção num edifício que é património da memória da cidade há aqui um sentido de responsabilidade que assumimos”, explica Audemaro Coutinho Rocha, do atelier Rodapé Arquitetos. “Temos um objectivo claro de reabilitar tudo o que está em estado possível de ser recuperado, e naturalmente reabilitar a emblemática fachada”.

 

O respeito pelo espaço continua na obra dos decoradores da Oito em Ponto, Artur Miranda e Jacques Bec, também eles do Porto: “A exigência do edifício, e da sua história, bem como tudo o que ele representa ou representou na história da cidade do Porto, constitui uma tarefa ‘monumental’, que vai exigir toda uma releitura do passado, em modo contemporâneo, tanto em matéria de forma como de estilo ou de função.”

 

A abertura do Monumental Palace Hotel estava prevista para a passada primavera, mas tem sido noticiada uma relação difícil entre a promotora e a empresa que tem estado a construir o edifício. A nova data de abertura tem sido apontada para antes da Páscoa de 2018. É uma pena perder o inverno, que é tão bonito no Porto, e onde as altas janelas Deco iluminadas do Monumental ficariam tão bem.

 

Imagens retiradas do site oficial do Monumental Palace Hotel.

João  GALVÃO
João GALVÃO