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Cortiça, a mais portuguesa das matérias

Design em cortiça
Par João GALVÃO Il y a 3 ans
Catégories :
Turismo Portugal

Não há nada como a cortiça, faltava apenas que os designers lhe descobrissem as possibilidades infinitas

 

Cerâmica todo o mundo tem, têxteis também, bordados e rendas é mais do mesmo. Cortiça há em Portugal, um pouco pontilhado em torno do Mediterrâneo e em mais sitio nenhum. Apesar de país pequenino em território, é de Portugal que provém metade (praticamente 50%) da totalidade da cortiça produzida no mundo, seguido de Espanha com 30%, e resquícios distribuídos pela Tunísia, Marrocos, Argélia, Itália e França.

 

O que a torna especial? Tanta coisa. Antes do mais a sua raridade, não só pelos pouquíssimos sítios do mundo onde se cria, mas especialmente pela escassez da sua colheita: cada sobreiro oferece a sua cortiça apenas de 9 em 9 anos. Em certos casos apenas de 13 em 13 e cada árvore só está pronta a ser ‘ceifada’ somente quando atinge os 25 a 30 anos de idade.

1. Centros de mesa ARO, por Miguel Vieira Baptista, aglomerado de cortiça e aro metálico; 2. RUFO, por Studio Pedrita, tambores em compósito de cortiça, velatura e baquetas de madeira; 3. LASCA, por Marco Sousa Santos, mesas de apoio, aglomerado de cortiça e mdf lacado; 4. FURO, por Fernando Brízio, taça em aglomerado de cortiça, lápis de cor ou lápis vermelhos

 

Para além de tudo isto, a cortiça é um material de características únicas quando encontradas todas ao mesmo tempo na mesma matéria: é completamente sustentável, pois cada sobreiro não é abatido pela cortiça, muito pelo contrário; é uma árvore preventiva da desertificação e um dos raros exemplos de resistência aos fogos florestais, ao contrário dos eucaliptos, um presente envenenado e uma bomba-relógio dos novos mapas sociopolíticos e económicos.

 

O montado (é como se chama à planície onde crescem os sobreiros) é refúgio de muitas espécies animais em risco de extinção e hoje em dia a bolota, o seu fruto, começou a ser redescoberta pelos produtores alimentares, como substituta de farinhas ou componente de vários alimentos.

 

A cortiça é das matérias naturais a que mais facilmente se recicla sem perder qualidades e as suas elasticidade e quase total impermeabilidade fazem dela um dos favoritos de qualquer designer de equipamento. É impermeável a líquidos e a gases, compressível, hipoalergénica, altamente resistente mas capaz de flutuar, e requer processos de transformação e processamento mínimos antes de poder ser utilizada.

1. GELO, por Filipe Alarcão, frappé em aglomerado de cortiça e plástico reciclável; 2. TORNO, por Inga Sempé, prateleira ou taça instantânea, aglomerado de cortiça e elementos de fixação em metal; 3. PINO, por Daniel Caramelo, boneco de voodoo / memo board em aglomerado de cortiça e pioneses; 4. SENTA, por Fernando Brízio, banco em aglomerado de cortiça e madeira.

 

Em 2011, tirando partido de uma espécie de redescoberta do material por parte dos designers de produto e de interiores, a Corticeira Amorim convidou a nata dos designers portugueses e alguns poucos internacionais (também eles nata, claro) a criar uma linha de objetos em cortiça a que chamou Matéria Cork by Amorim.

 

De lá para cá é muito regular (e aprazível) ver designers portugueses - mas não só - a tirar partido da beleza e qualidades técnicas da cortiça. As imagens que lhe trazemos são da coleção Matéria, da Amorim, não só pelo sucesso que ainda hoje granjeia junto do público, mas também pela coerência discursiva que faz com que hoje em dia, tantos anos passados, pareça desenhada apenas ontem.