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Vinho de Montanha, sabe o que é?

Vinho de Montanha
Par João GALVÃO Il y a 4 Mois
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Entrevistas

Num tempo em que o sucesso de um produto passa muito pela raridade e produção localizada, o vinho de montanha preenche esses e muitos mais requisitos

 

As vinhas que produzem o Mont’Alegre são das mais altas em Portugal, no interior norte de Trás-os-Montes, na região do Barroso. É uma zona bela mas que desertifica, esquecida pela tutela, e qualquer negócio de sucesso fará mais por ela do que qualquer visita de político beijoqueiro.

 

Falámos com Francisco Gonçalves, um dos homens teimosos que acredita na terra e nas suas potencialidades. É o enólogo e proprietário do projeto recente Mont’ Alegre Vinhos, e orgulhoso proprietário da vinha portuguesa a maior altitude.

A primeira vinha da marca Mont'Alegre

 

O que define um vinho de montanha?

Passará sempre por ser um vinho produzido em vinhas de altitude (superior a 550 m do nível do mar) e em que as condições são extremas, por exemplo, com elevadas temperaturas, amplitudes térmicas grandes, períodos de stress hídrico, etc.

 

Especificamente, o que distingue os vinhos Mont'Alegre?

São vinhos com intensidade aromática bastante considerável, frescos (com maior acidez), elegantes, vinhos que dão muito prazer ao beber.

 

Que tipos de vinho de montanha se produzem?

Em Itália, por exemplo, o Trentino Alto, o Lombardy e o Piedmont. Em Espanha, o Galicia, na Suiça, no cantão de Ticino/Valais, em França o Rhône Alpes, ou o Languedoc Roussillon. A Áustria e a Alemanha também produzem vinho de montanha.

 

E o Francisco, desde quando produz vinho de montanha?

No meu caso pessoal, iniciei este projeto em 2015 com vinhos produzidos em vinhas com altitudes entre os 500 m até aos 800 m. Neste momento o projeto Mont´Alegre Vinhos plantou, em Junho do ano passado, em Montalegre, a vinha mais alta de Portugal a 1.070 m de altitude.

A vinha nova de Francisco, a mais alta em território português, a 1.070 metros de altitude

 

Onde os podemos comprar? E quanto custam em média?

Os vinhos encontram-se espalhados por todo o território nacional e ilhas, essencialmente  em garrafeiras da especialidade e via Canal Horeca.

O preços vinhos podem rondar entre os 5 e os 18 €. 

 

Como tem sido a recepção por parte do consumidor?

A recepção por parte do consumidor tem sido muito boa, muito interessante. O consumidor está cada vez mais informado e conhecedor e, neste momento, procura vinhos um pouco diferentes (regiões, perfis) e sem duvida que estes vinhos de Trás-os-Montes vão ao seu encontro.

 

Que percentagem exporta já?

Estamos com cerca de 30 % de exportação.

 

Que pratos desta região do Barroso casam melhor com os Mont'Alegre?

Praticamente todos, pois os vinhos sendo frescos e intensos casam bem com todos os pratos confecionados nesta região: cozido à portuguesa, posta de vitela Barrosã, qualquer prato de bacalhau harmoniza muito bem com os nosso vinhos brancos Mont´Alegre Vinhas Velhas ou Mont´Alegre Reserva Branco e mesmo com o nosso Mont´Alegre Clarete (vinho produzido com uvas brancas e tintas), um vinho tinto para se beber fresco.

 

A seca que se tem sentido altera a qualidade do vinho de montanha? Em quê?

Obviamente que influencia da mesma forma que noutras regiões mas um pouco mais amenizado. A falta de água vai provocar um maior stress hídrico na planta influenciando no grau alcoólico, na acidez e também nos PH dos vinhos, alterando ligeiramente a sua estrutura e carácter.

 

Já sentiu a existência de um turismo vinícola? Articulando com esta pergunta, pode ser o vinho um motor que resgate o interior a uma certa incúria por parte da tutela?

Queremos, efetivamente, mudar o paradigma da agricultura. Em Montalegre o turismo tem que caminhar em paralelo com esse sector. Se repararmos, a procura do Douro, em termos turísticos, para além da componente eno-turística, também se deve às excelentes paisagens trabalhadas pelo homem.
O setor vinícola em Montalegre vai, com certeza, com ou sem o apoio da referida tutela, fazer o seu caminho. É evidente que se estivermos unidos somos mais fortes, no entanto o eno-turismo é um nicho de mercado que vamos explorar, naturalmente, articulado com a casa de turismo associada ao nosso projeto e à vinha mais alta de Portugal, a Casa da Avó Chiquinha.

 

Para saber mais clique aqui

 

 

Fotos cedidas pela marca 

João  GALVÃO Contribuidor Lisbonne-Idée
João GALVÃO Contribuidor Lisbonne-Idée