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A Feira da Ladra, do ladrão e de quem lhes compra

Feira da Ladra
By João GALVÃO . 2 years
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Atividades Lisboa

A Feira da Ladra existe desde o século XIII e pode ir lá já na próxima terça-feira ou no sábado

 

Em França chamam-se Marché aux Puces e em Espanha Rastros. Em Portugal uma feira assim, popular e onde toda a gente pode ir vender e comprar chama-se “da Ladra”. A mais conhecida, e a melhor, fica num dos bairros mais antigos e belos de Lisboa, no Largo de Santa Clara. Um dos bairros mais antigos por que continua a ser feita para cá do traçado da muralha medieval da cidade, e o seu término é mesmo junto à bela Igreja de São Vicente de Fora; de Fora porque esta igreja era já fora da muralha da cidade nuclear, numa espécie de arrabalde próximo. 

Feira da Ladra Lisboa

A esta feira todos são bem vindos: os feirantes que correm todas as feiras, como esta, e a de Carcavelos ou a de São Pedro de Sintra (são mais ou menos os mesmos feirantes profissionais), e todos os outros que têm alguma coisa de seu que queiram vender mas que não façam disto vida: a estes, basta tirar uma licença temporária, estender uma manta no chão e vender tudo aquilo que a mãe já não queira lá em casa. Graças a estes (e às mães deles, abençoadas!), podemos encontrar vintage como deve de ser, legítimo e datado, e de um tudo, desde iluminação até ao serviço de chá completo por 10 euros.

 

Tem que chegar cedo – já ando nisto há muitos anos e sei que muitos antiquários e ‘velharistas’ vêm fazer shopping para as respetivas lojas à Feira da Ladra, tirando partido do puto de 12 anos que não sabe que está a vender um Folha de Tabaco verdadeiro. A concorrência é brava, mas como tudo é uma questão de sorte. E regateie, está implícito neste tipo de negócio, o pior que lhe pode acontecer é ouvir um ‘não’ e fica barato na mesma.

Feira da Ladra Lisboa

Se a sua cena for do tipo durão, possante e militarizado, uma parte dos feirantes são especializados neste sector. Botas, camuflados e toda a parafernália da tropa detêm o topo direito da Feira, já junto ao belo arco de São Vicente (a rua mais bela do mundo, onde eu nasci). A mochila que eu uso hoje em dia, e que todos os modanti que eu conheço, e que já a viram, cobiçam, foi comprada aqui. Custou 5 euros, e só tive que lhe substituir o feio cordão militar por uma galante fita de nastro cor de laranja. E toda a gente me pergunta onde a comprei e quanto custou. Ou se é Gucci!

 

E o sombreador que tenho no terraço é a mesma coisa que os militares usam para camuflar os carros e os tanques durante os exercícios militares, naquela rede com folhas verdes de nylon, e que custa cerca de 80 euros por metro quadrado. Comprei-a lá também e é a melhor solução possível para estas tardes abafadas de setembro, lançando sobre nós uma sombra quase que naturalmente recortada. 

 

Parte integrante do recinto da Feira da Ladra é o formoso Jardim de Santa Clara, que começa junto à linha de chão do lado poente e que 150 metros depois da rua virar subitamente para baixo em declive acentuado, acaba com vista para o nascer do sol ao mesmo nível em que começou, numa vista impar para o Tejo e para o Panteão, gigante e branco de calcário, numa parede a pique.

 

Feira da Ladra

Campo de Santa Clara e tudo à volta

Todas as terças feiras e sábados

 

Crédito 2ª foto: CML