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Noites de S. Bento: antiquários fora de horas

Noites em S. Bento
Par João GALVÃO Il y a 4 ans
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É a melhor rua do género em Lisboa. O único defeito dos antiquários de S. Bento é fecharem às 19h00, mas entre 12 e 14 de setembro pode-se ir até à meia-noite

 

Por João Galvão

 

E se começar pelo Largo do Rato, por volta da uma da manhã estará em Santos ou na Madragoa, onde se janta e se sai alegremente à noite.

 

É um acontecimento anual de Lisboa, um dos que marca o regresso do outono e da vida normal. É uma festa que se faz pela décima terceira vez, e em que a rua fecha ao trânsito e se passa de antiquário para loja vintage para lojinha de curiosidades para uma de velharias, ziguezagueando rua abaixo. E ziguezagueando mesmo, as lojas celebram parcerias com algumas marcas de vinhos e oferecem um copo às visitas. Por isso já sabe, veja bem através das névoas do álcool se o armário rocaille com 6 dígitos no preço cabe mesmo na sua sala.

 

Alguns dos mais prestigiados nomes do mundo antiquário e do estilo ‘gabinete de curiosidades’ têm loja na Rua de São Bento, e mesmo quem não é ainda um nome reconhecido tem no meio da quinquilharia aquela coisa perfeita que faltava para o hall de entrada lá de casa.

É comum haver animação gizada de propósito por grupos de artistas performativos convidados: lembro-me de um certo ano os alunos da Escola de Circo Xapitô interpretarem o Japão rua abaixo, e noutro um grupo que trouxe a Era Quinhentista, quando Lisboa era o centro do comércio mundial.

 

Este ano, as Noites de São Bento associam-se, com todo sentido, ao Festival Todos – Caminhada de Culturas, pois afinal São Bento faz fronteira com o Poço dos Negros. A origem do nome não é certa, há gente que fala de um decreto real de D. Manuel I em 1515, em que “se abrisse um poço para depositar os corpos dos escravos mortos”, sobretudo durante os frequentes surtos epidémicos – os médicos eram poucos, e os brancos estavam primeiro.

 

Outros dizem que a origem vem do grupo de monges de Cluny que vieram de Tibães para a capital. Vestiam largas capas negras e no mosteiro de São Bento (a atual Assembleia da República) tinham um poço farto de água numa zona onde poucos mais a tinham. Os monges Negros partilhavam-na com os vizinhos e daí a zona ser conhecida como o Poço dos Monges Negros, Poço dos Negros.

Seja qual for a história, é um bairro onde este festival tem assim o seu melhor palco, com as antiguidades engalanadas em festa de um lado e a carga histórica de uma área que atravessa séculos do outro. O Festival Todos tem decorrido até agora no Intendente, que como o Poço dos Negros é também resultado de um caldo cultural quase único. Virão artistas e sabores de todo o mundo animar uma rua que não estamos habituados a ver nestas andanças tão animadas, muito menos a estas desoras.

 

Noites de São Bento

12, 13 e 14 de setembro, até às 00h00, pelo menos

 

Crédito fotos: Câmara Municipal de Lisboa