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Parque de Escultura Contemporânea: uma sagração à primavera em Vila Nova da Barquinha

Parque Escultura VNB
Par João GALVÃO Il y a 3 ans
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Turismo Portugal

É o primeiro parque de escultura contemporânea ao ar livre em Portugal. Nem por isso rivaliza com o Castelo de Almourol seu vizinho; é aliás uma feliz adjacência

 

O que é interior? Se define o que é longe da costa, então Vila Nova da Barquinha é certamente interior. Mas se define o que é provinciano, longínquo e retrógrado, então neste caso é certamente uma grande falácia.

 

Dantes ia-se ao Castelo de Almourol, e por tabelinha a Vila Nova da Barquinha. Almourol é uma coisa mágica, irreal e feérica, um castelo a ocupar toda uma ilhota no meio do rio Tejo, construído pelos Templários sabe-se lá com que intenções metafísicas, mais que apenas estratégicas. 

"Contramundo", de Rui Chafes, ferro metalizado pintado de negro mate, 250x150x310cm. O artista usa o ferro pintado de negro num modelo orgânico de memória imediata, mas tanto mais inquietante quanto a sua escala gigantesca. Esta couraça é uma memória, o resto de uma vida perdida, ou esconde um animal ameaçador? Dobrado sobre si mesmo, quase escondido entre árvores e canaviais do jardim, é ele quem nos coloca em perigo ou somos nós quem o ameaça? Na foto de abertura do artigo "Sobre a Floresta" de Alberto Carneiro, 33 elementos verticais em granito e bronze. 

 

Há agora uma razão contemporânea para rumar a Vila Nova Barquinha, contemporânea mas respeitosa do passado, tanto que este parque tem no nome Almourol, porque afinal o que distingue as Artes e o Património de agora dos do passado é apenas uma prosaica linha temporal. 

"Rotter", por Cristina Ataíde, tubo metálico pintado 300x700cm. A artista trabalha temas e formas enraizados em memórias ancestrais. A merujona é um artefacto de vime usado no Algarve na pesca de toda a sorte de peixes e moluscos. Ao alterar, de modo dramático, a escala, os materiais e as cores do objeto, a artista altera a sua funcionalidade e confere-lhe uma dimensão contemporânea: a memória torna-se vida, e a obra como peça de um jardim público alcança uma vocação infantil, popular e universal.

 

A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha assumiu uma missão que tem poucos exemplos mundiais e menos ainda nacionais: desenvolver um Parque de Escultura Contemporânea, na sede do Concelho. A autarquia mobilizou as vontades criativas de um grupo de inequívocos nomes portugueses já internacionalmente consagrados, desafiando-os a pensar as melhores formas de ocuparem um espaço de fruição pública concelhia, situado numa zona de cruzamento de energias regionais (de Abrantes a Tomar) e com capacidade já provada para se transformar num destino de atracão turística regional e nacional. 

"Sem Título" de José Pedro Croft, ferro e aço polido, 4 elementos com 600x100cm. Quatro espelhos de aço desmultiplicam o espaço onde se inserem, capturam e reenviam imagens da paisagem e dos seus habitantes. Os altos espelhos transformam o jardim em cenário e os seus utilazadores em actores de uma peça improvisada, de texto e encenação livres, numa clara exaltação de liberdade, de ver e interpretar que nasce da própria qualidade deformante das imagens.

 

O projecto que o Município de Vila Nova da Barquinha desenvolveu em parceria com a Fundação EDP tem várias vertentes, algumas de maior visibilidade que outras, mas todas de igual importância e impossíveis de serem consideradas ou geridas em separado - as obras a colocar no parque urbano, a galeria de exposições, a loja de merchandizing, as oficinas formativas e as residências de criação artística. Um circuito direto ou implícito deve unir a programação destes diferentes níveis de intervenção, mobilizando as presenças cruzadas dos artistas convidados para o Parque (e outros) na sua ocupação e dinamização.
Estas estruturas e ações vão garantir a continuidade do projeto, o seu enquadramento pedagógico junto das populações locais e dos Concelhos vizinhos e a sua contextualização e comunicação no âmbito nacional e internacional, constituindo-se como o principal projeto estratégico do concelho nos próximos anos. 

"Concrete Poem" por Fernanda Fragateiro, vigas de betão branco e peças em aço inox. Esta grande escultura integra o jardim de modo a confundir-se propositadamente com uma peça de mobiliário de uso comum: um complexo conjunto de bancos, que é um convite para o descanso ou exercício. O nome Concrete Poem, para além de referir um movimento literário, é também o material que faz a peça: concret, cimento.

 

A estrela mais visível deste parque são as esculturas pedidas à nata dos artistas nacionais. Estes artistas foram selecionados pelas qualidades intrínsecas das suas obras no contexto do presente projeto e como artistas cotados no âmbito geral da arte contemporânea portuguesa e mesmo internacional. 

"Trianons", por Joana Vasconcelos, estruturas metálicas com fitas plásticas, dois elementos com 324x324x324cm. Através da evocação do título, trata-se de recordar, num parque público contemporâneo, a construção de pequenos pavilhões de verão pela aristocracia do Antigo Regime. A artista introduz um corte entre dois tempos históricos (antes da Revolução Francesa e a atualidade democrática), entre dois tipos de uso (o que implicava uma exclusão social e o que vive da democratização dos equipamentos), entre dois tipos de desenho e construção (o que implicava delicadeza e preciosidade e o que vive da simplificação e massificação).

 

O Parque é um verdadeiro Museu de Escultura Portuguesa Contemporânea, cobrindo autores e obras cujo trabalho se tenha desenvolvido da década de 60 até à atualidade, tendo sido convidados a integrar este projeto Alberto Carneiro, Ângela Ferreira, Carlos Nogueira, Cristina Ataíde, Fernanda Fragateiro, Joana Vasconcelos, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, Xana e Zulmiro de Carvalho.
As obras ocupam sete hectares do Barquinha Parque, podendo, de futuro, serem estudadas novas localizações na Vila. 

"Casa no céu", por Xana, caixas plásticas industriais, 657x900x640cm. Um objeto inesperado torna-se material escultórico: caixas de armazenamento industrial fazem as vezes de tijolos e é com eles que o artista constrói uma casa. Por um lado, pode ser maqueta ou modelo utópico de solução barata de habitação, por outro, inserida num jardim público, passa a fazer parte de um projeto de divertimento sem que as preocupações sociais necessitem já de ser explicitadas.

 

O Parque-Museu de Escultura Portuguesa Contemporânea está inserido num layout mais abrangente, o Barquinha Parque, que já em 2007 ganhou o Prémio Nacional de Arquitetura Paisagística na categoria "Espaços Exteriores de Uso Público", e é já um ícone de Vila Nova da Barquinha. Esta intervenção em plena zona ribeirinha, constitui uma autêntica revolução urbanística na zona histórica da vila. É o grande espaço de lazer e recreio do concelho e da região. Ocupa uma área de cerca de 7 hectares, onde existem equipamentos desportivos, espaços lúdicos para as crianças e percursos ribeirinhos, tudo enquadrado numa área de prado natural a escassos metros do Rio Tejo. 

"Linha da terra e do rio", por Zulmiro de Carvalho, aço inox polido e escovado, 425x900cm. O brilho dos metais ajuda a desmaterializar a forma criada nesta escultura. Elevando-se de modo claro e sólido, como um pedestal gigantesco, ela ganha depois leveza no braço, suspenso em instável equilíbrio sobre o solo, numa delicadeza que quase o transforma num desenho espacial. O contraste formal entre estes dois elementos dá sentido à peça sugerindo um movimento de rotação que a nossa deslocação pode acentuar.

 

Pensado pela dupla de Arquitetos Paisagistas Hipólito Bettencourt e Joana Sena Rego este espaço substituiu os velhos nateiros por um imenso prado verde onde crescem cerca de 700 árvores. A obra devolveu o rio à população, e acolhe também diversos eventos culturais. Inaugurado em 2005, constitui um local de eleição para muitos habitantes da região, onde desfrutam os seus tempos livres. Caminhar, fazer jogging, levar as crianças para brincar, andar de bicicleta, jogar "à bola", ou simplesmente apreciar a paisagem ribeirinha são algumas atividades que este espaço oferece numa envolvente natural de rara beleza. 

"Rega", por Ângela Ferreira, pivot de rega em tubo metálico 1200x200x250cm, num círculo descrito com diâmetro de 25000cm. A peça replica as formas e o modelo de rotação dos grandes mecanismos de rega que vemos pelos campos, mas muda de função. Pintada em múltiplas cores, em vez de cumprir um destino prático passa a cumprir um destino lúdico: serve de suporte a um conjunto de balouços integrando assim a arquitetura humanizada do jardim e abrindo à universal interatividade do público infantil.

 

Mais info aqui.

 

Fotos cedidas pelo Município.