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Emaús: vintage solidário

Emaús
Par João GALVÃO Il y a 3 ans
Catégories :
Turismo Lisboa

Veio viver para cá? Gosta de vintage? Venha à Emaús e traga uma camioneta

 

Vintage já não é uma moda, é uma espécie de papel de embrulho que remata um estado de espírito e uma filosofia de vida. Porque sabemos que quando se adota vintage na decoração não há caminho de volta, trazemos-lhe este artigo, a pensar em si que se mudou para Portugal sem contentor de mobília.

Na zona de Lisboa o melhor spot para encontrar decoração e mobiliário vintage para o seu espaço, seja quarto alugado seja palacete recuperado (ouviu, Madona?), é a Emaús em Caneças. Porquê? Porque a Emaús vai à origem buscar a sua mercadoria, trazendo os recheios completos ou as peças soltas de que as pessoas, seja por que razão for, se querem desfazer. A moeda de troca é a mão-de-obra de carregar seja o que for e levar. Por isto, a maior parte das pessoas que chamam a Emaús são idosas, os donos afinal do mais legítimo vintage.

 

O carácter vintage é assim aqui acessório e coincidente, fruto da idade da maior parte dos doadores, a quem a expressão ou o espírito vintage não aquece nem arrefece: é vintage porque foi comprado há muitos muito anos, ou até herdado, e esteve sempre lá em casa.

Como funciona e porque são as coisas tão baratas? Uma equipa da associação recolhe, junto de quem já não quer, mobiliário e decoração: a tarefa principal da associação é esta, e restaurar – se necessário for - e depois vender este espólio, a preços quase sempre muito convidativos. O produto desta venda, mais que reverter para a associação, pretende não ser excessivo, para que quem menos tem possa também possa comprar o que lhe faz falta.

O movimento Emaús nasceu pela força e pela vontade do Abbé Pierre, membro da Ordem dos Capuchos e resistente durante a II Guerra Mundial em França. As coisas não eram sempre como no Allo Allo e por vezes eram bem duras.

 

Certo dia acolheu  George, um assassino e ex-presidiário suicidário. O bom Abade disse-lhe: “não tenho uma solução para o teu sofrimento, mas muitas pessoas vêm-me pedir ajuda todos os dias e não consigo atender a tanta miséria sozinho. Já que dizes não ter nada a perder, podias ajudar-me antes de te matares.” E George tornou-se no primeiro Companheiro. Cristão católico mas muito prático, efetivo e imediato, o bom Abade.

 

A Emaús é assim um Movimento que resgata cidadãos em risco, oferecendo pela partilha, a eles e a nós, a oportunidade de ser positivamente reativo. Nós podemos dar o que não queremos lá de casa, e nem temos que descer aqueles quatro andares do prédio sem elevador com uma cristaleira às costas. Ou, por outro lado, podemos comprar sabendo que o produto reverterá para uma bela e meritória obra.

 

Se o leitor for do género compro-todas-as-revistas-de-deco-e-sou-hip, tem que vir a Caneças. Por entre longos e recheados corredores, pode descobrir a cadeira em vime que lá chamam ‘a da Emanuelle’, a do cartaz do filme, alta, em leque e rendada. Ou um serviço da Fábrica de Sacavém , em azul rainha-mãe, branco e ouro, por poucos euros.

O espaço tem ainda uma horta onde alguns companheiros trabalham. Com jeitinho, ainda traz também uma bela alface para o jantar.  

 

 

Movimento Emaús

Estrada Lugar de Além, 16

Quinta das Lages – Caneças

3ª a 6ª feira das 14h30 às 18h00

Sábados das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h30

219 800 038

http://emauscanecas.blogspot.pt

 

 

Imagens cedidas pelo Movimento