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Há 7 Rotas para ver a Arte Urbana na cidade do Porto

Arte Urbana Porto
Par João GALVÃO Il y a 3 ans
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CulturaPorto

O projeto StreetArtCEI resgata das sombras e da ilegalidade a arte grafiteira do Porto e faz dela mais um motivo de visita à Invicta

 

Começou por ser essencialmente símbolo de revolta jovem e sinal de contestação, logo carimbada como ilegal e profana pelos académicos da Arte. Mas cedo o trabalho clandestino dos grafiteiros urbanos fazia tanta gente pensar ”que pena não poder levar isto para casa”. Do enorme grupo anónimo de ‘revoltosos’ sai de vez em quando um nome que engrossa a já vasta lista destes novos artistas que nos marcam as cidades. Como a do Porto.

 

 

O StreetArtCEI é um projeto do Centro de Estudos Interculturais (CEI) do Politécnico do Porto e nasce na sequência da sua participação no projeto mais alargado SAICT/23447 “TheRoute – Tourism and Heritage Routes including Ambient Intelligence with Visitants’ Profile Adaptation and Context Awareness”, liderado pelo Politécnico do Porto.

 

O estudo e a divulgação da arte urbana do Porto, e de outras zonas do norte do país, aconteceram no seguimento  da “criação e da experimentação de roteiros inspirados pelas páginas dos escritores que aí situaram as suas narrativas. Mas, em simultâneo a este objectivo do projeto TheRoute, os investigadores e bolseiros de investigação do CEI foram despertando para outras narrativas visuais e policromas, também inscritas na cidade.”

 

 

É assim que Clara Sarmento nos conta como nasceu o StreetArtCEI. Clara é Professora Coordenadora no Politécnico do Porto, e Diretora do CEI, Centro de Estudos Interculturais e dos Mestrados em Estudos Interculturais para Negócios e em Tradução Especializada, no ISCAP – Politécnico do Porto.

 

E então, surge a ideia de explorar a arte urbana?

A equipa encetou assim um projeto paralelo motivado pela descoberta da arte imprevista e anónima dos muros da cidade. Convocando as ferramentas teóricas e conceptuais dos estudos interculturais, o projeto StreetArtCEI definiu-se enquanto spin-off do projecto TheRoute, com o objectivo de esbater ainda mais as já de si ténues fronteiras entre culturas dominantes e marginais, suas práticas, símbolos e manifestações estéticas, no espaço aberto, movediço e sempre efémero da cidade. StreetArtCEI visa assim despertar visitantes e habitantes para outras materializações, de estéticas urbanas auto e hétero marginalizadas.

 

 

E o CEI, o que é?

É o Centro de Estudos Interculturais  do ISCAP, Politécnico do Porto. Foi fundado em 2006 e realiza investigação fundamental e aplicada, cooperando com instituições nacionais e estrangeiras em projetos científicos, técnicos e culturais. O CEI engloba na sua designação e objectivos todo o panorama interdisciplinar gerado pela investigação que desenvolve, pelas oportunidades de intercâmbio que cria e pelas iniciativas científicas e editorais concretizadas pela sua equipa, no âmbito das principais linhas de investigação do Centro: teorias e práticas interculturais, comunicação intercultural, e business intercultural.

No CEI, os estudos interculturais são sinónimo de movimento, comunicação, encontro entre culturas, e o nosso objectivo é discutir as suas consequências pragmáticas na academia e na sociedade. A viagem intercultural contemporânea é uma jornada global, uma circunavegação à velocidade das novas tecnologias, e este conceito de interculturalidade sustenta todas as partidas e regressos, toda a emissão e recepção de informação implícita na comunicação, na diversidade e no trânsito que o inter-cultural sugere. Propomo-nos por isso examinar as motivações, as características e as representações das interações culturais no seu movimento constante, desprovidas de fronteiras espaciais e temporais, numa indefinição de limites tão arriscada quanto estimulante.

 

 

O que podemos ver nestas rotas?

Nas rotas, disponíveis no website do projecto StreetArtCEI, www.streetartcei.com, podemos ver obras de graffiti e street art de qualidade e impacto visual, isoladas ou associadas por recorrência num espaço, de fácil acessibilidade para o cidadão comum, em locais inesperados, irreverentes e não sancionadas pelas autoridades, ou ratificadas e comissariadas por instituições e particulares, em artérias normalmente transitáveis da cidade e arredores. As obras são selecionadas pela sua visibilidade e qualidade estética e pela sua inclusão num padrão de recorrência geográfica ao longo de percursos facilmente realizáveis, independentemente do reconhecimento público ou do anonimato do autor.

 

 

Há alguma espécie de guias para orientar as visitas?

O StreetArtCEI não é um projecto turístico nem comercial nem é orientado para o lucro. É um projecto científico de investigação e divulgação cultural. Propõe rotas não vinculativas a experimentar (ou não…), em completa liberdade e independência, qualquer interessado, seja turista, visitante, habitante ou curioso. Não há quaisquer guias nem ofertas de pacotes turísticos.

Neste momento, disponibilizamos no website www.streetartcei.com sete rotas suportadas com mapas simples, com propostas de trajectos a serem realizados, truncados, reinventados, subvertidos ou esquecidos, em liberdade e sem qualquer vínculo ou garantia. Até porque a obra que hoje surgiu num suporte algures na cidade pode já lá não estar amanhã.

 

 

Quais os critérios de escolha para uma obra ser integrada nas rotas?

Especificamente, para ser integrada numa das rotas, a obra deve ter sido captada pelos investigadores do projecto, desde o seu início em Outubro de 2017; ser imediatamente visível (durante o seu tempo variável e imprevisível de vida) por qualquer pessoa com mobilidade, em locais de acesso fácil e seguro. Deve ser uma obra ou conjunto de obras, independentemente do nome ou anonimato do autor, que ocorra ou recorra num trajecto ou espaço que justifique a inserção do POI – Ponto de Interesse – na rota. A perenidade da obra não é assegurada, pela própria essência da street art, contudo tentamos escolher suportes que garantam o mínimo de estabilidade, sempre não vinculativa.

 

 

Sendo uma arte facilmente perecível, há algum tipo de registos para o futuro? Uma espécie de ‘reserva museológica’ digital?

Sim, temos uma opção “Memória” no website do projecto, www.streetartcei.com, com colecções de obras organizadas por localização e data, todas elas captadas antes do ano civil de início do projecto (2017) e cedidas por voluntários, tanto profissionais como amadores. 

No geral, a metodologia de trabalho passa pela recolha fotográfica, categorização e extração de padrões de recorrência, dos quais emergem novas rotas, não só turísticas mas também para usufruto e formação de todo o público interessado. O website do projecto disponibiliza todas as imagens, rotas, arquivos e textos de reflexão em acesso aberto. Do Marquês à Baixa, da Ribeira a Matosinhos, de S. Bento da Vitória a Vila do Conde, os percursos de StreetArtCEI propõem uma busca pela arte oculta nos recantos urbanos e orientam uma corrida contra o tempo que leva a tinta. Do conhecimento – criado ou partilhado – nasce o privilégio de saber encontrar nos percursos do quotidiano a arte criada onde e quando o artista esquivo quis.

 

 

Quais são as rotas que podemos ver?

A Rota do Marquês, a da Trindade, a de São Bento, a de Vila do Conde, a da Senhora da Hora, e a de Matosinhos.

 

 

Estão pensadas outras rotas?

Sim, estão a ser construídas e serão brevemente disponibilizadas as rotas de S. Mamede Infesta/Maia, Constituição/Boavista, Bolhão e Campanhã. Seguir-se-ão as rotas de Braga, Vila Nova de Gaia, Aveiro/Ovar e, de futuro, ligações a rotas já existentes em Lisboa.

 

 

Que mais projetos tem o CEI para um futuro breve?

A continuação dos trabalhos no âmbito do projecto “TheRoute – Tourism and Heritage Routes including Ambient Intelligence with Visitants’ Profile Adaptation and Context Awareness”, um projeto de IC&DT em co-promoção MCTES, Portugal 2020 e FCT, com parceiros das 8 escolas do P.PORTO, IPVC e Douro Azul. Neste projeto, o CEI é responsável pela criação das Rotas Literárias e Culturais.

 

A publicação de livro “Routes of Tourism and Heritage in Portugal”, incluindo já resultados dos projetos StreetArtCEI e TheRoute, com a Cambridge Scholars Publishing, em 2018. 

 

A participação no projeto Google Arts&Culture, em parceria com o Google Cultural Institute, o Mestrado em Intercultural Studies for Business do ISCAP-P.PORTO e o Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso. Neste projeto o CEI está a construir uma viagem virtual pelo acervo excecional deste único Museu de Escultura ao ar livre em Portugal.

 

A realização do ICIM 2019 – International Conference on Interculturalism and Multiculturalism, no ISCAP, P.PORTO, entre 28 a 30 de Março de 2019, com painéis sobre rotas de turismo cultural, diálogos multimodais e estudos interculturais para negócios, entre outros. Com intervenções do Alto-comissário para as Migrações, Dr. Pedro Calado, do diretor da Faculdade de Indústrias Criativas da Saint Joseph University de Macau, e da Bar-Ilan University de Israel.

 

O projeto C&B – CULTURE & BUSINESS, desenvolvendo, entre outras iniciativas, uma plataforma em acesso livre com repositório de textos literários, filmes e séries sobre temas de Economia, Negócios e Direito 

 

O projeto THE GENDERWEB, uma plataforma online que congrega informações e recursos sobre conferências, emprego, bolsas, apoio familiar, livros, recensões, artigos, recursos online e ativismo, entre outros, na área dos Estudos Feministas e de Género.

 

A participação na Rede de Ensino Superior em Mediação Intercultural (RESMI) do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), com acolhimento de ações de formação sobre diálogo intercultural, bilinguismo e empreendedorismo para estudantes internacionais.

 

Mais info em www.streetartcei.com e em www.iscap.ipp.pt/cei.com

 

 

Imagens cedidas pelo CEI ou retiradas do site da instituição.